13 de Março de 2010

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Teatro educa e solidariza

Houve um tempo em que as crianças e os adolescentes eram censurados e repreendidos pelos pais ao mencionarem que queriam participar de uma peça teatral ou fazer um curso de teatro. A contrariedade dos pais era tamanha pelo conceito equivocado de que o teatro era atividade marginal, praticada por malandros e vagabundos.

A discórdia gerada na família só alimentava mais preconceito. Alguns jovens, entretanto, contrariaram os pais, inclusive com rebeldia, enfrentaram as adversidades advindas com a decisão, e dedicaram-se ao teatro sem se prejudicar na escola nem prejudicar a família, conquistando os objetivos por persistência ou teimosia.

Aos poucos, com o passar dos anos, o preconceito com que os pais reagiam às intenções dos filhos foi perdendo força em grande parte das famílias, à medida em que as escolas incentivavam a prática das manifestações artísticas e a participação dos alunos nas atividades teatrais nas semanas de cultura.

Mas, com toda a compreensão possível de pais e educadores, ainda prevalece, acolá ou alhures, um ranço passadista de desaprovação em boa parte das famílias. Isso contribui para alimentar o preconceito ao teatro e manter muitos jovens afastados da atividade artística.

O teatro, atualmente, avaliado com outros objetivos, adquiriu conceito entre os pais, sobretudo entre os professores nas escolas, que utilizam as artes cênicas como meio pedagógico para melhorar a aprendizagem e o desenvolvimento cultural dos alunos. A maioria das escolas em Maceió desenvolve oficinas nas aulas de educação artística e nas atividades extra classe. O Ministério da Cultura, por exemplo, incentiva o teatro patrocinando, anualmente, a montagem de peças em todo o país e a realização de concursos destinados a promover dramaturgos conhecidos e a revelar novos autores nacionais.

A renomada atriz e diretora carioca Denise Weinberg, exemplo de profissional bem sucedida, tem muito conhecimento teatral para oferecer aos alunos em seus cursos e workshops. Ela realiza, eventualmente, em todo o país, uma preparação para atores e iniciantes interessados no desenvolvimento e aperfeiçoamento teatral. Com tanto talento, ela foi agraciada, por duas vezes, com um dos mais importantes troféus do teatro nacional, o “Mambembe”, instituído em 1997 pelo Ministério da Cultura para premiar os melhores trabalhos e profissionais do teatro brasileiro adulto e infantil. Denise conquistou o prêmio de melhor atriz em 1994, com a peça “Vestido de Noiva”, e em 1997, com “Do Fundo do Lago Escuro”. 

Do alto de sua experiência e maturidade artísticas, Denise Weinberg aconselha aos adolescentes, principalmente os iniciantes, a terem uma relação lúdica com o teatro para que possam desenvolver o conhecimento de como ele funciona. A atriz esclarece que o amadurecimento artístico, os conceitos e as técnicas teatrais vão sendo definidos à medida em que os iniciantes vão vivenciando e analisando suas experiências na arte de interpretar. Para a formação do ator, ela considera fundamental o estudo: “Estudar, estudar qualquer coisa; ler, ver escultura, escutar música, isso é fundamental em qualquer formação; cultura, cultura.”

A atividade teatral nas escolas, nas igrejas ou nas ruas, vem, em boa hora, conquistando, com evidência, o reconhecimento de pais e educadores, para que diferentes gerações reflitam sobre a importância do teatro como caminho saudável na formação e no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, futuros cidadãos.

Rosalvo Acioli

Fonte: Comunidades


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