O secretário de Estado da Saúde, André Valente, reuniu-se na quarta-feira, dia 30, no Hotel Jatiúca, com secretários de saúde do Nordeste para avaliar a situação da dengue na região e discutir estratégias para o combate à doença. O encontro contou com a presença de Gerson Penna, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS); Fabiano Pimenta, diretor de Gestão Técnica (MS); Ubiratan Pedrosa, assessor especial para Assuntos Estratégicos (MS) e técnicos da Superintendência de Vigilância em Saúde, da Sesau.
André Valente informou que o objetivo do encontro foi proporcionar a troca de experiências entre os gestores de saúde no combate à dengue, mostrando o perfil epidemiológico da doença em cada estado e as ações implementadas. “Alagoas está numa situação de médio risco, porém essa relação fica muito próxima de uma epidemia. Por isso, as ações devem ser diárias e sistemáticas para evitarmos situações vividas por outros estados como, por exemplo, Sergipe, que registrou 400 casos de dengue durante todo o ano de 2007 e hoje está enfrentando uma epidemia.”, salientou.
O secretário de saúde de Sergipe, Rogério Santos, sugeriu uma discussão mais ampla abrangendo a mudança de paradigmas acerca da atual política de vigilância em saúde no País. ”Esse modelo de vigilância está em fase terminal. O desafio nesse momento é reconstruir o papel do Estado, garantindo novas tecnologias e intervenções mais freqüentes e eficazes do Ministério nos municípios”.
O registro de casos de dengue no estado do Piauí já atinge 103, dos 223 municípios do Estado, com notificação de 12 óbitos até o mês de abril. “A situação é grave, a capital tem concentrado mais problemas em função das freqüentes enchentes. É preciso integração entre estados e governo federal no enfrentamento da doença porque a vida está acima das fronteiras dos estados”, disse Francisco Carvalho, secretário do estado.
Para Jorge Gomes, secretário de saúde de Pernambuco, o desafio é organizar as ações de combate ao mosquito transmissor para que o País saia desse momento difícil. ”As atividades não podem ser apenas pontuais, mas sim permanentes. Tememos o que pode acontecer em 2009 se essas medidas não forem articuladas e executadas de maneira constante”. O Estado está em situação epidêmica e este ano já registrou seis óbitos decorrentes da doença.
ESTATÍSTICA
Alagoas registrou até o último dia 19, 4.697 casos de dengue clássica e 176 suspeitos de dengue com complicações (casos que se agravaram e necessitaram de internação). Destes, houve a confirmação de 27 e três foram descartados. Foram notificados 17 óbitos suspeitos por dengue, dois foram confirmados (um de Maceió e outro do município de Atalaia) e um caso foi descartado, os demais estão sob investigação.
De acordo com a última classificação dos municípios por área de risco segundo a incidência de casos, há 12 municípios em situação epidêmica por apresentarem mais de 300 casos por 100 mil habitantes. São eles: Delmiro Gouveia, Jacaré dos Homens, São José da Tapera, Piranhas, Pindoba, Cajueiro, Palestina, Craíbas, Roteiro, São Luís do Quitunde, Barra de São Miguel e São Miguel dos Milagres.