Antanas propõe a Sapucaia ações contra violência no trânsito
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Adailson Calheiros
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| Antônio Sapucaia conheceu as estratégias utilizadas por Antanas Mockus em Bogotá para reduzir a violência no trânsito |
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O ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, visitou o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AL) e apresentou ao diretor-presidente do órgão, Antônio Sapucaia, as soluções que aplicou e que resultaram em importante redução da violência no trânsito da capital colombiana. Também participaram da reunião os secretários de Estado do Planejamento e do Orçamento, Sérgio Moreira, e do Trabalho, do Emprego e da Renda, Urânio Ferro, além de técnicos das áreas de Educação em Trânsito e de Estatística do Detran.
Sapucaia ouviu a explanação de Mockus e disse que o Detran-AL está pronto a receber as sugestões do ex-prefeito de Bogotá. Parte da equipe colombiana fica em Maceió até a próxima quarta-feira, para detalhar os procedimentos e a forma de trabalho, e o próprio Antanas Mockus retorna a Maceió em outubro, para nova rodada de reuniões que fortalecerão a parceria e a cooperação para implantar medidas visando reduzir a violência no trânsito da capital alagoana.
“Encontramos no Detran, quando assumimos, um grande grupo de servidores e técnicos de excelente nível, que vestem a camisa do órgão”, disse Sapucaia. “O que faltava era um ambiente de trabalho condigno com a formação deles. O que pretendemos, e estamos certos de que vamos conseguir, é elevar a auto-estima desses funcionários, dar a eles estímulo para o trabalho”.
CRIATIVIDADE
Antanas Mockus, em sua exposição, disse que, quando prefeito de Bogotá, a cidade tinha um dos mais altos índices de violência do mundo, e isso se refletia também no trânsito. “Na pior época, o índice era de 80 homicídios por ano para cada grupo de 100 mil habitantes. Reduzimos para 8 homicídios por 100 mil”, disse. E o ex-prefeito fez uma comparação com Maceió: atualmente, segundo ele, na capital alagoana ocorrem 110 homicídios por ano para cada 100 mil habitantes — índice muito mais alto que nos piores tempos de Bogotá. No trânsito, a violência urbana também tem esse reflexo, disse o colombiano.
O que chamou a atenção do mundo para Bogotá, no caso do trânsito, é que as soluções foram criativas e baratas, sem necessidade de uma só grande obra física. O ordenamento do trânsito por lá contribuiu de forma decisiva para melhorar a vida da população. Os engarrafamentos foram reduzidos e o fluxo do trânsito ficou 90% mais ágil, sem a necessidade de construção de novas vias, nem viadutos ou túneis.
A etapa seguinte foi a identificação e demissão de policiais de trânsito corruptos. Nada menos que 2.300 desses policiais foram excluídos dos quadros e substituídos por outros, concursados.
PERFORMANCE
Mas foi a participação da sociedade que, de fato, acelerou e consolidou o processo de redução da violência no trânsito. Até com brincadeiras educativas a educação intensiva em trânsito foi sendo posta em prática. Nas faixas para pedestres, por exemplo, a prefeitura de Bogotá colocou pessoas treinadas em mímica, vestidas de palhaço ou outra fantasia alegre, para chamar a atenção de motoristas que faziam infrações, advertindo-os de forma bem-humorada. Se o motorista insistisse em permanecer no erro, a polícia de trânsito era chamada para adverti-lo com mais severidade. Multa, só em último caso.
Outra etapa da educação cidadã para o trânsito que fez muito sucesso em Bogotá e chamou a atenção da opinião pública internacional foi a técnica dos cartões. Cerca de 350 mil cartões foram distribuídos para os condutores de veículos: a metade branca, com o desenho de uma mão com o polegar para cima, simbolizando um “muito bem, parabéns” — era a forma de um condutor cumprimentar o outro por uma manobra correta ou uma gentileza no trânsito. A outra metade era de cartões vermelhos, com o desenho do polegar para baixo, significando “ei, você errou”. Foi uma forma lúdica de comunicação entre os condutores, com um jeito civilizado de saudar ou alertar o outro.
Na etapa seguinte, disse Mockus, a população já havia assimilado tão bem as regras de civilidade no trânsito que os próprios pedestres portavam apitos e, com eles, chamavam a atenção de condutores faltosos.
Assim, a educação para o trânsito se resumiu em três etapas: pressão social, ação da polícia de trânsito e, por último, punição com multa.
Em relação aos policiais, tanto os de trânsito quanto os do combate ao crime, Antanas Mockus explicou sua filosofia: “polícia só pode ser feita de cidadãos que formam cidadãos”.
Fonte: Agência Alagoas - Secom
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