A crise ética que assola a sociedade brasileira leva-me a refletir sobre a necessidade de uma reformulação urgente na grade curricular das escolas públicas e particulares de nosso país. Não basta ensinar a nossas crianças e adolescentes as disciplinas clássicas dos programas educacionais atualmente aplicados. Antes e acima de tudo, devem primar nossos educadores em transmitir lições de vida e de comportamento que forjem uma juventude comprometida com princípios de ética e de justiça social esperados de uma nação prestes a ocupar posição de destaque dentre as maiores potências mundiais.
Os objetivos fundamentais de nossa República em construir uma sociedade livre, justa e solidária, com erradicação da pobreza e da marginalização, e redução das desigualdades sociais e regionais, somente serão atingidos com a conscientização das novas gerações sobre a importância de suas condutas para alcançar tal desiderato.
O papel desempenhado recentemente pela Polícia Federal na desarticulação de organizações criminosas infiltradas em órgãos estatais de todos os Poderes da União, Estados, Municípios e do Distrito Federal e pela mídia, em especial, por manter a sociedade brasileira cotidianamente informada sobre o teor de tais operações, contribui sobremodo para insuflar no corpo social um alento de esperança, inibindo a continuidade de práticas ilícitas por parte de alguns agentes públicos.
Persiste, entretanto, o temor de que, valendo-se da morosidade da justiça, esses gatunos, utilizando-se da própria fortuna surrupiada dos cofres públicos e da autoridade usurpada do povo, através da compra ilícita de votos e do uso de cargos públicos por apadrinhamento político, permaneçam impunes de seus crimes.
Somente pela difusão em massa de ensinamentos de moral e de ética, poder-se-á combater o mal social da corrupção no Brasil. Corrupção que dificulta o desenvolvimento nacional e impede a construção de uma sociedade alicerçada na dignidade humana e na igualdade de oportunidades para todos os cidadãos.
Arnaldo Paiva é escritor e procurador de Estado