Nasci em Maceió, capital de Alagoas, no querido e saudoso Nordeste do Brasil, torcedor do CRB e do Botafogo de Futebol e Regatas. Mangueirense de coração!
Desde 2002 passei a viver em Portugal, primeiramente em Castro Daire, terra natal da minha mulher Maria Teresa, mãe do nosso filho Luiz António. A fadista Maria Alcina, que vive no Rio de Janeiro e foi proprietária da famosa casa de fados “Desgarrada” é natural de lá. Também de Castro Daire é o palacete citado no famoso romance de Camilo Castelo Branco “Amor de perdição”.
Após a regularização da minha licenciatura em Medicina, obtida na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, passamos a viver na cidade vizinha de Lamego. Estamos num município localizado na divisa da Beira Alta com Trás-os-Montes, separados desta última região pelo emblemático rio Douro, berço do famoso vinho do Porto e dos vinhos fantásticos que são produzidos em Portugal. Azeite, cerejas, espumante fantástico (Raposeira), as tradicionais “Bolas” (pronunciar Bôlas) e o afamado presunto de Lamego, além da mais importante Romaria de Portugal, Nossa Senhora dos Remédios e do seu magnífico santuário. Tudo isso faz a fama de Lamego, cidade anterior à existência de Portugal.
No entanto, não é a saudade, nem a tristeza, mas a lembrança viva da minha vida “vivida” no Brasil, os bons tempos que passei em Alagoas – mesmo quando vivia no Rio de Janeiro costumava passar férias em Maceió e na Chã do Pilar – que me fazem acordar neste domingo de frio (ainda faz muito frio neste Inverno de Portugal), e recordar da minha terra. E assim, para ilustrar, quero utilizar um poema de minha autoria, publicado no meu primeiro livro de poemas “A certeza das incertezas”:
“Alagoas”
(Quanta saudade…)
Enfim tudo assentou
O pó pára no pára-choques
E encaro da janela do
Carro a cana que corre
Solta, distâncias à frente, em
Direcções tão diversas
Como a sorte.
O sol queimando a terra
O cheiro lá da usina
Aquele melaço presente no ar
Os pássaros e o açude
As imensas jaqueiras…
Enfim tudo assentou.
…
Minha terra distante:
És ainda mais bela
No meu fado!
André Freire é medico e escritor alagoano.