05 de Setembro de 2010

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Alagoas em Portugal
Não é a saudade, nem a tristeza, mas a lembrança viva da minha vida “vivida” no Brasil, os bons tempos que passei em Alagoas que me fazem recordar da minha terra.
André Freire

Nasci em Maceió, capital de Alagoas, no querido e saudoso Nordeste do Brasil, torcedor do CRB e do Botafogo de Futebol e Regatas. Mangueirense de coração!

Desde 2002 passei a viver em Portugal, primeiramente em Castro Daire, terra natal da minha mulher Maria Teresa, mãe do nosso filho Luiz António. A fadista Maria Alcina, que vive no Rio de Janeiro e foi proprietária da famosa casa de fados “Desgarrada” é natural de lá. Também de Castro Daire é o palacete citado no famoso romance de Camilo Castelo Branco “Amor de perdição”.

Após a regularização da minha licenciatura em Medicina, obtida na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, passamos a viver na cidade vizinha de Lamego. Estamos num município localizado na divisa da Beira Alta com Trás-os-Montes, separados desta última região pelo emblemático rio Douro, berço do famoso vinho do Porto e dos vinhos fantásticos que são produzidos em Portugal. Azeite, cerejas, espumante fantástico (Raposeira), as tradicionais “Bolas” (pronunciar Bôlas) e o afamado presunto de Lamego, além da mais importante Romaria de Portugal, Nossa Senhora dos Remédios e do seu magnífico santuário. Tudo isso faz a fama de Lamego, cidade anterior à existência de Portugal.

No entanto, não é a saudade, nem a tristeza, mas a lembrança viva da minha vida “vivida” no Brasil, os bons tempos que passei em Alagoas – mesmo quando vivia no Rio de Janeiro costumava passar férias em Maceió e na Chã do Pilar – que me fazem acordar neste domingo de frio (ainda faz muito frio neste Inverno de Portugal), e recordar da minha terra. E assim, para ilustrar, quero utilizar um poema de minha autoria, publicado no meu primeiro livro de poemas “A certeza das incertezas”:

“Alagoas”
(Quanta saudade…)


Enfim tudo assentou
O pó pára no pára-choques
E encaro da janela do
Carro a cana que corre
Solta, distâncias à frente, em
Direcções tão diversas
Como a sorte.
O sol queimando a terra
O cheiro lá da usina
Aquele melaço presente no ar
Os pássaros e o açude
As imensas jaqueiras…
Enfim tudo assentou.

Minha terra distante:
És ainda mais bela
No meu fado!



André Freire é medico e escritor alagoano.


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